Artigos

Província

Província

A Província São Maximiliano M.Kolbe celebrou no dia 02 de agosto de 2023 a festa de Nossa Senhora dos Anjos. A celebração foi realizada na Casa de Formação de Nossa Senhora dos Anjos, em Santa Maria DF. Estiverem presentes frades da Província, o Ministro Provincial fr.Gilberto, os formandos do Postulantado, o Pré-noviciado, os  frades professos e as pessoas da comunidade.

A festa do Perdão de Assis- As indulgências plenárias

Está festa celebra no dia 02 de agosto, a Festa do Perdão de Assis, Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, segundo testemunhou Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim: “Em uma noite linda , do ano do Senhor de 1216, Francisco estava intimamente compenetrado na oração e na contemplação estava mesmo ali na pequena ermida dedicada a Virgem Mãe de Deus, conhecida como igrejinha da Porciúncula, localizada em uma planície do Vale de Espoleto, perto de Assis, quando, de repente, a igrejinha ficou tomada de uma luz vivíssima jamais vista antes, e Francisco viu sobre o altar o Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, acompanhados de uma multidão de anjos. Francisco ficou em silêncio e começou a adorar o seu Senhor. Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. Francisco tomado pela graça de Deus que ama incondicionalmente, responde: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero, o pior dos pecadores, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão visitar esta Igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.

O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho, portanto, o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”. E não tardou muito, Francisco se apresentou ao Papa Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perugia e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e perguntou: “Por quanto anos queres esta indulgência”? Francisco, respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”. E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: “Francisco, não queres nenhum documento”? E Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”. E poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”

 

 

ㅤㅤNo último dia 19 de outubro, a Paróquia São Marcos e São Lucas celebrou com alegria e gratidão seus 45 anos de fundação. A data foi marcada por uma solene celebração eucarística, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Gilberto de Jesus, OFMConv., e concelebrada pelos freis João Batista e Eusébio, além do pároco local, Frei Roberto.

ㅤㅤA celebração reuniu frades que fizeram parte da história da Paróquia, bem como fiéis e lideranças comunitárias que, ao longo das décadas, contribuíram para a construção da vida pastoral e missionária da comunidade.

ㅤㅤEm clima de ação de graças, recordou-se a trajetória de fé, serviço e compromisso com o Evangelho que marcaram essas mais de quatro décadas de caminhada. A presença dos frades e da comunidade expressou o reconhecimento por todos que, com dedicação, ajudaram a consolidar a presença franciscana no território paroquial.

ㅤㅤQue Deus continue abençoando o trabalho dos frades e do povo de Deus nesta Paróquia, para que, inspirados pelos santos evangelistas São Marcos e São Lucas, sigam anunciando com entusiasmo a Boa-Nova do Reino.

 

 

 

ㅤㅤEntre os dias 13 e 15 de outubro de 2025, o Ministro Provincial Frei Gilberto de Jesus, OFMConv, realizou uma visita fraterna ao Frei Geraldo OFMConv, que desde janeiro deste ano está colaborando pastoralmente com a Diocese de Barra do Garças (MT), sob a orientação de Dom Paulo Renato.

ㅤㅤAcompanhando Frei Gilberto esteve o Frei Lanoil, OFMConv, formador do postulantado. A visita teve como objetivo conhecer de perto a realidade vivida por Frei Geraldo, bem como a comunidade paroquial de General Carneiro, a casa onde reside e os trabalhos pastorais que vem desenvolvendo.

ㅤㅤDurante sua estadia, o Ministro Provincial teve a oportunidade de visitar famílias da comunidade, a Milícia da Imaculada (MI), diversas capelas da paróquia e presidiu a Santa Missa com os fiéis locais. Também conheceu o Diácono Leonardo, que reside com Frei Geraldo, e esteve em Barra do Garças para um encontro com Dom Paulo Renato. Na ocasião, o bispo partilhou os desafios enfrentados pela diocese, especialmente a escassez de sacerdotes.

ㅤㅤA Paróquia de General Carneiro possui uma rica história desde sua fundação em 1930, sendo parte significativa do desenvolvimento da cidade. Que Frei Geraldo, com a graça de Cristo, possa seguir firme nesta importante missão junto à Diocese de Barra do Garças. Contamos com as orações de todos por ele e por essa comunidade.

De 22 de fevereiro a 22 de março de 2026, os restos mortais de São Francisco de Assis estarão em exposição especial na Basílica de São Francisco, em Assis. As reservas podem ser feitas pelo site sanfrancescovive.org. A visita pode ser realizada de forma livre ou acompanhada por um frade franciscano.

ㅤㅤHoje, 12 de outubro, celebramos a Festa de Nossa Senhora Aparecida que foi declarada em 1929 pelo Papa Pio XI como a Padroeira do Brasil. A história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem seu início em meados de 1717, quando chegou a notícia de que o Conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, iria passar pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica, hoje cidade de Ouro Preto (MG).

ㅤㅤConvocados pela Câmara de Guaratinguetá, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves saíram à procura de peixes no Rio Paraíba. Desceram o rio e nada conseguiram. Depois de muitas tentativas fracassadas, chegaram ao Porto Itaguaçu, onde lançaram as redes e apanharam uma imagem sem a cabeça, logo após, lançaram as redes outra vez e apanharam a cabeça, em seguida lançaram novamente as redes e desta vez abundantes peixes encheram a rede.

ㅤㅤA imagem ficou com Filipe, durante anos, até que presenteou seu filho, o qual usando de amor à Virgem fez um oratório simples, onde passou a se reunir com os familiares e vizinhos, para receber todos os sábados as graças do Senhor por Maria. A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil.

ㅤㅤPor volta de 1734, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745. Mas o número de fiéis aumentava e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (atual Basílica Velha). Já em 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora “Aparecida” das águas.

ㅤㅤO Papa Pio X em 1904 deu ordem para coroar a imagem de modo solene. No dia 29 de abril de 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor. Grande acontecimento, e até central para a nossa devoção à Virgem, foi quando em 1929 o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil, com estes objetivos: o bem espiritual do povo e o aumento cada vez maior de devotos à Imaculada Mãe de Deus. Em 1967, completando-se 250 anos da devoção, o Papa Paulo VI ofereceu ao Santuário de Aparecida a Rosa de Ouro, reconhecendo a importância do Santuário e estimulando o culto à Mãe de Deus.

ㅤㅤCom o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi crescendo e o número de romeiros foi aumentando cada vez mais. A primeira Basílica tornou-se pequena. Era necessária a construção de outro templo, bem maior, que pudesse acomodar tantos romeiros. Por iniciativa dos missionários Redentoristas e dos Senhores Bispos, teve início, em 11 de novembro de 1955, a construção de uma outra igreja, a atual Basílica Nova. Em 1980, ainda em construção, foi consagrada pelo Papa João Paulo ll e recebeu o título de Basílica Menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida Santuário Nacional, como sendo o “maior Santuário Mariano do mundo”.

Segunda, 06 Outubro 2025 12:46

Jornada Formativa 2025

 

ㅤㅤNo último sábado, 4 de outubro, a Província São Maximiliano Kolbe promoveu mais uma Jornada Formativa, marcada por momentos de oração, reflexão e fraternidade. O encontro teve início às 8h da manhã, com a Santa Missa celebrada na Basílica Santuário São Francisco de Assis, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Gilberto de Jesus, OFMConv.

ㅤㅤParticiparam da jornada os jovens das casas de formação da Província: o Postulantado São Maximiliano Maria Kolbe, na Cidade Ocidental (GO); o Pré-noviciado Santa Maria dos Anjos, em Santa Maria (DF); e o Pós-noviciado São Francisco de Assis, em Brasília (DF).

ㅤㅤApós a celebração eucarística, os participantes partilharam um café da manhã fraterno, que deu início às atividades formativas do dia. A conferência central foi conduzida pelo Frei Marcelo Borges, OFMConv., e teve como inspiração o trecho da Regra Bulada de São Francisco:

“Peregrinos porque chamados: como peregrinos e estrangeiros nesse século, sirvam ao Senhor na pobreza e na humildade” (RB 6,3).

ㅤㅤA reflexão proposta por Frei Marcelo convidou todos a redescobrirem o sentido da vocação franciscana como caminho de peregrinação e serviço humilde, recordando que a pobreza e a simplicidade são expressões autênticas da liberdade evangélica.

ㅤㅤDurante o dia, a fraternidade se reuniu também para a hora média, seguida do almoço e de uma tarde de convivência, com recreação, esportes e momentos de partilha fraterna. O encontro foi encerrado com a oração das vésperas, seguida do jantar, em clima de alegria e comunhão.

ㅤㅤA Jornada Formativa foi um tempo de renovação espiritual e comunitária, fortalecendo os laços entre os irmãos e reafirmando o compromisso de viver o carisma franciscano com simplicidade, alegria e fidelidade ao Evangelho.

Sexta, 03 Outubro 2025 13:56

Solenidade de São Francisco de Assis

“Francisco, homem de Deus, cantava com júbilo e louvores ao Senhor em língua francesa” (LM 5,2).

 

                 Celebramos neste dia a Solenidade do Seráfico Pai São Francisco de Assis, a vivência desta data nos ajuda fortalecer a vocação cristã, religiosa dentro de uma perspectiva franciscana.  Neste ano, de forma especial, a nossa Ordem e a Família Franciscana celebram o Oitavo Centenário do Cântico das Criaturas, oportunidade que permite recordarmos o amor do Seráfico Pai São Francisco de Assis à criação.

                 A vida de São Francisco de Assis nos edifica, pois, observamos nele uma profunda espiritualidade que remete à Encarnação, a Paixão e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo nos convidando a vivencia dessa espiritualidade. Ele tornou-se o homem evangélico, católico, apostólico, etc a partir de um grande amor a Cristo, a Igreja e a criação. A sua vida foi um precioso jogral que externalizou uma espiritualidade unida à sua realidade, em uma relação harmoniosa que integra a Paixão do Senhor à sua vivência existencial.

                  Na vida de São Francisco de Assis, encontramos um existencialismo cristão que refletiu as suas limitações humanas e os seus pecados, mas vislumbrou a graça divina, fruto da Paixão e Ressurreição do Senhor, que o preencheu plenamente. Aprendemos, desta forma, que aquele que renuncia a si mesmo encontra-se com o Sumo Bem, na vivência dos méritos da Ressurreição, já nesta vida: “mudou o os afetos do coração humano, reprimiu com seu

poder a presunçosa malícia dos demônios, apagou a veracidade das chamas” (LM 6,11).

                 A juventude de São Francisco de Assis foi marcada pelo desejo de uma ascendência social, aos moldes dos apetites temporais da época, ressaltados por Tomás de Celano: “superou os jovens de sua idade nas frivolidades e se apresentava generosamente como um incitador para o mal” (1Cel 1,2). O jovem Francisco refletia em si um vazio existencial, no qual as inclinações impunham suas regras sobre ele: “até o vigésimo quinto ano de sua idade perdeu-se e consumiu-se miseravelmente o seu tempo” (1Cel 2). Esta realidade formou a sua personalidade e o seu caráter, levando-o a buscar títulos de nobreza, desejando ser cavaleiro, visando um status e, consequentemente, ele assumiu uma guerra que lhe ocasionou sofrimento, derrota e prisão: “no tempo em que houve a guerra entre Perugia e Assis, Francisco foi capturado... e encarcerado em Perugia” (LTC 4,1). Os desejos do jovem Francisco lhe impuseram exigências, causando-lhe tribulações e conflitos, pois ainda não compreendia bem os desígnios do Senhor: “ignorava até então o projeto de Deus, distraído pela vontade do Pai para as coisas exteriores e submerso nas coisas inferiores” (LM 2,1). A realidade de dúvidas e de medo fez brotar em Francisco uma introspecção, uma comoção interior, que por sua vez o conduziu a repensar a sua conduta, buscando um sentido para si mesmo, e pouco a pouco o Altíssimo iluminou o seu coração.  

                 A conduta evangélica do Seráfico Pai São Francisco de Assis revelou uma experiência profunda de um homem movido pela fé: “era inundado por indizível alegria até então não experimentada por ele; inflamando-se totalmente desta alegria” (1Cel 10,7). Um homem marcado por mudanças interiores, realizando colóquios constantes com Senhor, por diversas formas como: momentos de silêncio, de contemplação, de oração e louvores: “Francisco, homem de Deus, cantava com júbilo e louvores ao Senhor em língua francesa” (LM 5,2). Os traços de São Francisco de Assis revelavam em grande intensidade um homem reconciliado, que buscava o sagrado com atitudes que lhe traziam paz e comunhão com Deus e com os irmãos. São Francisco foi respondendo às realidades conflitivas de sua sociedade, assumindo a vida de modo semelhante àqueles que viviam à margem da sociedade da época, optando por ser chamado de menor: “O humilde Francisco decidiu que eles se chamariam Frades Menores” (Lm 1,2). Ele buscou ser menor, associando-se aos pobres e aos leprosos, representando uma das classes de sua sociedade: “sentou-se alegremente entre os pobres e considerando-se como um deles, come avidamente com eles” (2Cel 8,3), e aos leprosos: “transferiu-se para junto dos leprosos e permanecia com eles, servindo com diligência” (LM 6, 3). A conversão de São Francisco de Assis foi cheia de significado, suscitando em seu pai reações diversas, pois este era ávido e ambicioso, e sentia-se lesado pelo filho. Pedro de Bernadone exigiu a restituição dos seus bens diante do Bispo: “o furor exasperado do pai... levouo a presença do bispo da cidade para que renunciando nas mãos dele a todos os bens, restituísse tudo” (1Cel 14, 4). São Francisco não temeu assumir a sua vocação, pois declarou em público o seu propósito vocacional, abandonando-se em Deus: “entrando no quarto do bispo, despiu-se de todas as suas vestes e colocando o dinheiro sob elas... restituo-lhe o dinheiro, pelo qual estava perturbado... querendo agora dizer pai nosso, que estais nos céus” (LTC 20, 2-3). Observemos que cena inusitada esta do Bispo que acolhe o jovem Francisco cobrindo a sua nudez, o que revela a Igreja como Mãe, que recebe seus filhos e oferece a eles a graça de Cristo: “o bispo, considerando a coragem do homem de Deus e admirando o seu fervor, acolhe-o entre seus braços, e cobrindo-o com seu manto” (LTC 20, 8). Assumindo publicamente a sua vocação, São Francisco de Assis renuncia aos bens, professa a sua consagração, confia

plenamente e dedica-se ao Senhor por meio do trabalho de construir as igrejas em ruínas.

                 A reconstrução da Igreja realizada por São Francisco (LTC 13,7), em um primeiro instante, foi vista de forma literal por São Francisco que se dedicou à construção da igreja de São Pedro: “para não ficar de braços cruzados, encetou a reconstrução de outra igreja dedicada a São Pedro” (LM 2,7); São Damião: “fora construída antigamente a igreja de São Damião. Com a graça do Altíssimo, reparou-a cuidadosamente em pouco tempo” (1Cel 8, 18) e Santa Maria dos Anjos: “Francisco era grande devoto de Maria... quando viu a igreja naquele desamparo, começou a morar aí permanentemente a fim de poder restaurá-la” (LM 2, 8). Mas Deus o iluminou concedendo uma profunda compreensão de seu chamado, pois na festa de São Matias, em 24 de fevereiro de 1208, na leitura do Evangelho da Missão, teve a inspiração da mudança do estilo, dedicando-se à evangelização: “começou Francisco a desejar vivamente a prática da perfeição evangélica e a convidar outros a que abraçassem os salutares rigores da penitência” (LM 3,2). Esta clareza de vocação e missão fez o Seráfico Pai São Francisco de Assis assumir o estilo propriamente franciscano, dedicando-se à Palavra e aos irmãos: “muitos começaram a reconhecer a verdade da doutrina que o homem de Deus com simplicidade pregava” (LM 3,3). A dinâmica missionária não só faz São Francisco de Assis abrir-se aos irmãos, levando a Palavra e o apostolado, mas também o leva a acolher novos irmãos para vida comunitária, em uma vida de partilha.

                 No período de enfermidade de São Francisco de Assis em 1225, devido à impressão das chagas em 1224, sentia-se atribulado e incomodado pelas dores: “Os sofrimentos, porém, não lhe davam sossego e ao permanecer acamado por cinquenta dias ou mais, o bem-aventurado Francisco não podia ver a luz do sol de dia nem ver a luz do fogo a noite”[1]. Mas a luz divina o inspirou, pois recebeu o alívio do Senhor, garantindo que seu sofrimento e as suas dores seriam condições para receber a vida eterna: “exulta, pois tua enfermidade é a garantia do meu reino, e pelo mérito da paciência espera seguro e certo a herança deste mesmo reino” (2Cel 213, 6).  

A certeza da salvação, dada pelo Senhor, fez nascer no coração do Seráfico Pai um louvor de gratidão Àquele que é o Sumo Bem, e em uma linguagem simbólica fez nascer o louvor a Deus por toda a criação, o Cântico das Criaturas! Neste cântico ele reconhecia a essência e o valor do Senhor presente na criação: “Deus me deu tal graça que se dignou, na sua misericórdia... vivendo ainda neste mundo, de que participaria do seu reino” (Leg Per 43).

Desta forma, o Cântico das Criaturas se origina de uma interlocução interior de São Francisco de Assis, refletindo a profunda comunhão com Deus e gerando um ato de louvor que é fruto da certeza de sua salvação, o qual o fez ir além de seus limites. Desta forma, o Seráfico Pai exaltava o nome do Senhor, louvando-O pelo sol, pela lua, pelas estrelas, pelo vento, pela água, pela terra, pelos que perdoavam e pela irmã morte.

O Cântico das Criaturas nasceu do coração de São Francisco como ato de louvor a Deus, pela certeza de sua salvação, renovando o coração do Seráfico Pai.O exemplo de São Francisco de Assis priorizou a vida interior e a voz divina em si, tornando-o um novo homem, compreendendo o valor da criação, dos irmãos e da Igreja, visando uma contemplação ampla dos sinais e dos vestígios de Deus em tudo que está a nossa volta.  

Portanto, finalizo com os cumprimentos, nesta Solenidade do Seráfico Pai, de que o ideal de São Francisco – que impactou a humanidade no decorrer de séculos – seja a força inspiradora em vosso ideal e vocação cristã, transformando vossas vidas, tornando-os luzes, transformando-os interiormente para serem construtores do Reino de Deus, como fez São Francisco de Assis.

 

[1] LECLERC, Eloi. Cântico das Criaturas. Tradução de J.B. Michelotto - 3 ed. Petrópolis, RJ: 2025, Vozes, p.11.

 

 

Sexta, 26 Setembro 2025 14:02

Dia da Bíblia

ㅤㅤCelebra-se a 30 de setembro o Dia da Bíblia. A data foi escolhida por ser festa litúrgica de São Jerônimo, o Padroeiro dos biblistas. Jerônimo, cujo nome exato é Eusebius Sophronius Hieronymus, nasceu em Strídon, possivelmente no ano de  347 e faleceu em Belém, a 30 de setembro de 419 ou 420. Sua maior obra foi fazer a primeira tradução da Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim, tradução esta conhecida como ‘vulgata’ que serve para a Bíblia Católica e para a Protestante.

ㅤㅤSobre Jerônimo, um dos maiores doutores da Igreja, disse o Papa Bento XVI: “a preparação literária e a ampla erudição permitiram que Jerônimo fizesse a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um precioso trabalho para a Igreja latina e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico e graças ao confronto com versões anteriores, ele realizou a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois o Saltério e grande parte do Antigo Testamento. Tendo em conta o original hebraico e grego, dos Setenta, a versão grega clássica do Antigo Testamento que remontava ao tempo pré-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerônimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: ela constitui a chamada “Vulgata”, o texto “oficial” da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento que, depois da recente revisão, permanece o texto “oficial” da Igreja de língua latina”. (Audiência geral, Roma, em 7 de novembro de 2007).

ㅤㅤA obra de São Jerônimo é de tal importância, que qualquer estudo bíblico que não levasse em consideração suas pesquisas, ficaria certamente falho. Ele teve o cuidado de ser totalmente fiel ao texto original. O principal objetivo da Sagrada Escritura é a revelação e a vivência. No evangelho de São Mateus, pode-se perceber que não basta conhecer a Palavra e nem mesmo orar sobre ela. Diz Jesus: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos  céus; mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este entrará no reino dos céus” (Mt.7,21).  Para maior seriedade ainda, vemos o Senhor asseverar: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em vosso nome, em vosso nome não expelimos demônios, em vosso nome não fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que operais a iniquidade”. (Mt.7,22-23).

ㅤㅤO esforço diário de colocar a Palavra de Deus na vida  é o fundamento sólido da obra e da salvação. Por isso o Senhor prossegue dizendo: Todo aquele que ouve a Palavra e a põe em prática será semelhante a um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha firme. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa, mas ela não desabou, porque estava edificada sobre a rocha.(Mt.7,24-25).

ㅤㅤViver a Palavra é estar sempre aberto à ação do Espírito e sempre atento à vontade de Deus. Maria é apresentada como a mais fiel servidora do Senhor, em quem o Altíssimo realizou maravilhas. Sua decisão de cumprir a vontade de Deus expressa ao anjo Gabriel, Eis aqui a Serva do Senhor, faça-se em mim a sua palavra, é o protótipo para todos os que procuram autenticamente a Cristo. Ela é a expressão máxima, na Bíblia, no que se refere à vivência da Palavra. Toda a sua existência, desde a anunciação, passando pelo nascimento e a infância de Jesus, pelos tormentos da paixão e morte de seu Filho, depois experimentando a alegria da ressurreição e por fim sua presença no dia de Pentecostes, no nascimento da Igreja, Maria é a imagem viva e reluzente de fidelidade a Deus e à sua Palavra. Pedro Apóstolo pôde exclamar após o discurso eucarístico de Jesus, transcrito por São João: Para onde iremos, Senhor, só Tu tens palavra de vida eterna.(Jo.6,69).

ㅤㅤSomente pode possuir a vida eterna quem vive na Palavra do Senhor, como nos afirmou Jesus de forma clara e animadora: Quem guardar a minha Palavra não provará a morte (Jo.24, 52).

Dom Gil Antônio Moreira

 

Fonte: CNBB

Sexta, 26 Setembro 2025 12:26

Novena de São Francisco de Assis

ㅤA Novena de São Francisco de Assis é uma prática devocional da Igreja Católica que consiste em nove dias consecutivos de oração, reflexão e preparação espiritual em honra ao dia de São Francisco de Assis (04/10), o humilde servo de Deus que viveu no século XIII e se tornou um dos santos mais amados da história da Igreja.

ㅤRezamos essa novena como um caminho de encontro com Deus, à luz do exemplo de vida de São Francisco, que nos inspira com sua simplicidade, seu amor pelos pobres, sua profunda espiritualidade e seu respeito por toda a criação.

 

Reze e medite a novena a São Francisco de Assis

Novena a São Francisco de Assis

– Fazer o sinal da cruz;
– Rezar a oração para todos os dias;
– Rezar a oração de cada dia;
– Rezar 3 Pais-Nossos, 3 Ave-Marias, 3 Glórias ao Pai;
– Meditar e comentar um texto do Novo Testamento (ver sugestões);
– Rezar a oração e bênção de São Francisco.

Oração para todos os dias

Absolvei, Senhor, eu Vos suplico, o meu espírito, e pela suave e ardente força de Vosso amor, desfeiçoai-me de todas as coisas que existem debaixo do céu, a fim de que eu possa morrer por Vosso amor, ó Deus, que por meu amor Vos dignastes morrer.

Oração de São Francisco

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei  que eu procure mais consolar que ser consolado,
compreender que ser compreendido, amar que ser amado.

Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Bênção de São Francisco

O Senhor vos abençoe e vos guarde.
O Senhor vos mostre a Sua face e se compadeça de vós.
Amém.
O Senhor volva Seu rosto para vós e vos dê a paz.
O Senhor vos abençoe.
Amém.
Que o Senhor Deus, pelos méritos de São Francisco,
vos conceda toda a paz e todo o bem.
Amém.

Primeiro dia

Meu amigo e protetor São Francisco, em vossa juventude, cantáveis alegremente pelas ruas de Assis, participando das boas alegrias dos jovens de vossa idade e fazendo grande projetos de conquistas e aventuras, ensinai-me a encontrar a alegria que vem de Deus e fazer-me nela viver continuamente.

Afastai de mim toda a tristeza que me torna fechado ao próximo.

Que a minha alegria e o meu espírito comunicativo deem testemunho da alegre presença de Deus em minha vida.
Sugestão: Jo 6,41-51.

Segundo dia

Meu amigo e protetor São Francisco, o encontro com um leproso, a quem fostes beijar e a quem destes generosa esmola, num gesto de autossuperação, marcou o começo de vossa conversão e da vida maravilhosa, que, a partir de então, iniciastes, causando admiração ao mundo inteiro. Pelo vosso espírito de renúncia e penitência, ensinai-me a vencer as paixões e más inclinações, canalizando essas energias para o caminho do bem, a fim de que alcance minha plena realização humana, na perfeição a que Deus me chamou.
Sugestão: Rm 8,18-22.

Terceiro dia

Grande patriarca Francisco, conta-se que, na igrejinha de São Damião, enquanto estáveis em oração, o crucifixo vos falou: “Francisco, vai e restaura a minha Igreja”. Foi uma ordem profética. Com vosso exemplo e com os numerosos seguidores que tivestes ainda em vida, nova aurora despertou para a Igreja. Pelo amor que tivestes à Igreja de Cristo, ensinai-me a ser-lhe fiel, vivendo em união com ele, apoiando-a por palavras e pelo testemunho da Igreja, levando uma vida de verdadeiro cristão.
Sugestão: 1Cor 12,31;13,4-13.

Quarto dia

Ó São Francisco, vós vos tornastes um apaixonado do amor de Cristo e saístes pelo mundo a lamentar que “o Amor não é amado”, e vos apresentastes aos homens como o “Amante do Grande Rei”. Livrai-me da indiferença e comunicai-me vosso entusiasmo para que aprenda a amar a Nosso Senhor e saiba encontrá-Lo na natureza e nos acontecimentos de cada dia.
Sugestão: Mc 16,1-8 ou Mt 28,1-10.

Quinto dia

São Francisco, enviastes vossos primeiros discípulos pelo mundo inteiro, a fim de que apregoassem a Boa Nova do Reino de Deus. Alcançai-me do Senhor o espírito apostólico e o zelo missionário, para que me interesse por Sua obra e procure colaborar com a Igreja, a fim de que o Reino de Cristo se estabeleça na Terra.
Sugestão: Mc 9,33-41.

Sexto dia

São Francisco, na contemplação e meditação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, encontrastes vigorosa motivação para vos entregardes a Deus numa vida desprovida de conforto e segurança. Submetestes vosso corpo a rudes penitências para experimentar uma parte dos padecimentos que Cristo enfrentou por amor de nós. A lembrança da Paixão do Senhor vos arrancava sentidas lágrimas de arrependimento e de gratidão. De vós quero aprender a grande lição do Crucificado: que, no sofrimento aceito livremente e por amor, atingimos nossa purificação.

Ensinai-me a aceitar os males e contrariedades que não posso evitar, para, por meio deles, expiar, com Jesus, os males que o pecado inflige ao mundo.
Sugestão: Mc 9,25-30 ou Rm 8,9-13.

Sétimo dia

São Francisco, fostes chamado “o Pobrezinho de Assis”. Abandonastes os bens e o conforto do mundo e vivestes na maior pobreza para mais perfeitamente imitar a Jesus, que nasceu pobre em Belém e na cruz foi despojado de tudo. Ajudai-me a superar o fascínio e os atrativos que os bens da terra exercem sobre mim. Que saiba repartir do que é meu com os mais necessitados, e assim mereça gozar da liberdade dos filhos de Deus.
Sugestão: Jo 19,31-37 ou Ef 3,8-12.14-19.

Oitavo dia

São Francisco, fostes o grande amigo da natureza. No Cântico do Sol, convidastes a todas as criaturas para cantarem louvores a Deus. Para vós, a natureza era o livro aberto onde se leem a bondade e a beleza de Deus, que tudo criou com amor de Pai. Fazei que, para mim, as criaturas não sejam pedras de tropeço, mas degraus que me levem para junto do Criador. Dai-me a graça de não me prender exageradamente às criaturas nem a mim mesmo. E que, de coração livre, possa levantar voo para as alturas do amor de Deus.
Sugestão: Jo 14,1-12 ou 1Pd 2,4-10.

Nono dia

Meu grande São Francisco, apesar da ingratidão dos homens que se fecham ao amor de Deus, soubestes viver em contínua alegria. Estáveis consciente de que o amor do Pai nos predestinou à felicidade do céu. Tão grande foi vosso amor a Cristo, vossa identificação com o Amado atingiu incomparável perfeição. Ensinai-me a encarar a vida com seriedade e alegria. Quero assumir com amor e alegria as responsabilidades que ele me impõe. Que seja compreensivo e alegre no relacionamento com o próximo. Que não esqueça minha vocação de filho de Deus chamado para servir. Fazei que, a vosso exemplo, eu me deixe arrastar pelo amor de Cristo, caminhando decidido e alegre ao seu encontro todos os dias da vida.
Sugestão: Mt 15,21-28 ou Rm 16,25-27.

 

Fonte: Canção Nova

ㅤㅤOs Estatutos Gerais da Ordem definem a Delegação como “uma estrutura da Província de caráter transitório, constituída, ao menos, por dois conventos distantes da própria Província” (Est. Ger. 9,1). Nesse sentido, a Delegação Provincial Santo Antônio de Pádua é uma instituição vinculada à Província São Maximiliano Maria Kolbe, presente na região Nordeste do Brasil. Foi aprovada como jurisdição no Capítulo Extraordinário de 2021 e confirmada pelo Ministro Geral.

ㅤㅤEssa Delegação já conta com quatro anos de existência e mantém três presenças no Nordeste: o Convento de João Pessoa (PB), com quatro frades; o Convento de Feira de Santana (BA), com três frades; e o Convento de Candeias (BA), com quatro frades. Ao todo, são onze frades Franciscanos Conventuais atuando nesses três conventos.

ㅤㅤApós a aprovação da Cúria Geral, em 20 de janeiro de 2022, celebrou-se a ereção oficial da Delegação Provincial Santo Antônio de Pádua, com a posse de fr. Lanoil como seu primeiro delegado, tendo João Pessoa (PB) como sede. Atualmente, o frei José de Arimatéia é o delegado responsável pela Delegação.

ㅤㅤO delegado da Delegação do Nordeste, frei José de Arimatéia, tem a missão, até o Capítulo Ordinário de 2027, de refletir e organizar a vida desta estrutura. Entre suas atribuições concretas estão: promover a vida fraterna entre os conventos do Nordeste; avaliar os caminhos a serem seguidos no futuro; representar o provincial nas questões jurídicas e canônicas; e elaborar uma programação que contemple as realidades das três presenças, preparando um relatório para o Capítulo Ordinário de 2027.

ㅤㅤEntre os dias 6 e 13 de setembro de 2025, o Ministro Provincial, Frei Gilberto de Jesus (OFMConv.), realizou uma visita fraterna à Delegação, passando por João Pessoa (PB), Feira de Santana (BA) e Candeias (BA). Na ocasião, reuniu-se com os frades de cada convento, ouvindo e avaliando, de forma conjunta, os possíveis caminhos para o desenvolvimento da Delegação nos próximos anos. Aproveitou a visita para também se fazer presente nas paróquias, onde se encontrou com membros das comunidades paroquiais.

ㅤㅤSão José de Cupertino, nascido em 17 de junho de 1603, na pequena aldeia de Copertino, no antigo Reino de Nápoles (atualmente Itália), é reconhecido pela Igreja como o padroeiro dos estudantes em dificuldades. Sua história é um testemunho claro de que a graça de Deus pode superar até mesmo as limitações mais severas. Filho de uma família muito pobre, José nasceu em um estábulo, depois que sua família foi despejada por conta das dívidas do pai, que faleceu antes mesmo de seu nascimento. Desde cedo, José enfrentou grandes dificuldades: era doente, desajeitado, sofria de confusão mental e possuía sérias limitações de aprendizado.

ㅤㅤCriado em um ambiente profundamente religioso, o único talento que desde pequeno manifestou com clareza foi de ordem espiritual: sua vida de oração intensa e sua caridade para com os mais necessitados. Apesar das limitações e do desprezo que enfrentou, desde jovem sentia um forte chamado à vida religiosa. Aos dezessete anos tentou entrar na Ordem dos Frades Menores Conventuais, onde tinha dois tios frades, mas foi recusado. Tentou então os capuchinhos, que o aceitaram como irmão leigo, mas não resistiram às suas dificuldades: sua confusão mental, os objetos que quebrava sem querer e os êxtases constantes o tornaram incapaz para os ofícios do convento. Acabou sendo dispensado e teve de devolver o hábito, o que o fez sofrer profundamente.

ㅤㅤSem desistir de seu chamado, José foi acolhido mais tarde no Convento de Grotella pelos Frades Menores Conventuais, mas apenas para cuidar de uma mula. No entanto, sua vida interior, marcada por oração fervorosa, obediência, humildade e dons sobrenaturais, logo começou a chamar atenção dos frades. Aos poucos, reconheceram sua santidade e o admitiram na Ordem. Seu desejo era ser sacerdote, embora quase não conseguisse aprender. Milagrosamente, começou a se sair bem em provas decisivas, mesmo sem preparo intelectual. No exame para o diaconato, por exemplo, foi interrogado justamente sobre o único trecho do Evangelho que conhecia, e respondeu com tamanha sabedoria que foi aprovado. Já no exame final para o sacerdócio, o bispo ficou tão impressionado com as respostas dos primeiros candidatos que aprovou todos, incluindo José, sem interrogá-lo. Assim, tornou-se padre em 1628, pela vontade de Deus, apesar de suas limitações.

ㅤㅤComo sacerdote, São José de Cupertino foi um exemplo de simplicidade e serviço. Continuou a viver como um frade humilde, cuidando de animais, limpando o chão e realizando os trabalhos mais simples do convento. Chegou a se autodenominar "irmão burro", em referência à sua simplicidade e esforço contínuo. No entanto, a fama de santidade logo se espalhou. Teólogos, bispos, reis e até o Papa Urbano VIII procuravam seu conselho, tamanha a sabedoria com que falava sobre as coisas de Deus, apesar de quase nenhum estudo formal. Era consultado até mesmo em questões teológicas complexas e sempre oferecia respostas claras e profundas.

ㅤㅤA vida de São José foi marcada por dons extraordinários: possuía o dom da ciência, percebia a alma das pessoas, aconselhava com precisão, promovia curas milagrosas e reconciliações. Era comum entrar em êxtase durante as orações e missas, e frequentemente levitava diante dos fiéis, chegando a flutuar pela igreja. Seu corpo exalava um delicado perfume, mesmo sem cuidados pessoais. Todos esses fenômenos geraram admiração e também desconfiança. Em 1653, a Inquisição o obrigou a deixar Assis e viver isolado em Petra Rúbia e, depois, Fossombrone. Aceitou tudo com obediência e humildade, sem jamais se revoltar. Quatro anos depois, foi transferido para Ósimo, perto de Loreto, e, ao chegar, disse: "Este é o lugar de meu descanso". Ali viveu seus últimos anos e faleceu no dia 18 de setembro de 1663, aos sessenta anos.

ㅤㅤImediatamente após sua morte, seu túmulo tornou-se local de peregrinação, e muitos fiéis passaram a testemunhar graças alcançadas por sua intercessão. Foi canonizado em 1767 pelo Papa Clemente XIII e é celebrado liturgicamente no dia de sua morte. Além de padroeiro dos estudantes em dificuldades, é também considerado padroeiro dos aviadores e paraquedistas, por causa dos êxtases e levitações frequentes que marcaram sua vida. São José de Cupertino é lembrado como um dos santos mais simpáticos da hagiografia católica e continua sendo um exemplo vivo de que a graça de Deus realiza o impossível na vida dos que confiam plenamente n’Ele.

 

Fontes: Franciscanos.org e Cruz Terra Santa

Últimas Notícias

Mais notícias

Artigos

Ver todos os artigos
© 2022 Ordem dos Frades Menores. Todos os direitos reservados

 
Fale conosco
[email protected]